COMO CULTIVAR ORQUÍDEAS: O GUIA SIMPLES E PRÁTICO

COMO CULTIVAR ORQUÍDEAS: O GUIA SIMPLES E PRÁTICO
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Não há uma pessoa no mundo que olhe para flores de orquídeas e tenha coragem de dizer que são feias.

Além disso, a maioria é louca para ter essas preciosidades em casa, mas esbarra em um mito do imaginário popular: é muito difícil cultivar orquídeas!

Se você sempre acreditou nisso, prepare-se. Após ler este artigo, verá que cultivar uma orquídea não é tão complicado quanto parece, mesmo que você não saiba nada sobre plantas.

No entanto, leia até o final. Você irá se surpreender, além de se deparar com uma excelente oportunidade.

Vamos lá?

– O que são orquídeas?

Você sabe o que é uma orquídea? Já a confundiu com alguma outra planta?

Orquídeas são todas as plantas que compõem a família Orchidaceae, uma das maiores famílias existentes.

Apresentam muitíssimas e variadas formas, cores e tamanhos, e existem em todos os continentes, exceto na Antártida, por ser um local extremamente frio.

Possuem mais de 35 mil espécies, principalmente devido à grande facilidade para fazer híbridos.

As flores de uma orquídea são formadas por três sépalas e três pétalas bastante desenvolvidas.

As sépalas têm a função de proteger a flor em botão e, após desabrochadas, tornam-se coloridas.

As pétalas intercalam-se com as sépalas, sendo que uma delas se diferencia das demais na forma e coloração, recebendo o nome de labelo.

O labelo tem a função de atrair os insetos polinizadores, garantindo, assim, a sua reprodução.

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As orquídeas podem ter crescimento monopodial (vertical) ou simpodial (para os lados).

As simpodiais, ou seja, que crescem lateralmente, geralmente possuem uma protuberância em seu caule, chamado de pseudobulbo, cuja função é acumular água e nutrientes.

Reconhecer os pseudobulbos é muito importante, pois você saberá para qual direção a planta emitirá novos brotos.

Dessa forma, pode-se, embora de forma grosseira, arriscar  a idade da planta, fazer mudas de acordo com a quantidade de bulbos, etc.

– Classificação por habitat

Em primeiro lugar, orquídeas NÃO são plantas parasitas. Se essa era a sua ideia sobre elas, é hora de reformular conceitos.

Orquídeas de qualquer habitat não absorvem nutrientes de outras plantas, apenas as utilizam para fixação, sem nenhum tipo de prejuízo.

Epífitas

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São a maior parte das orquídeas. Vivem “grudadas” em troncos de árvores, e realizam a fotossíntese a partir de nutrientes absorvidos pelo ar e pela chuva.

Exemplos: Plantas do gênero Oncidium, Dendrobium, Cattleya.

Terrestres

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São as que vivem como plantas comuns, na terra, embora aceitem muito bem o plantio em outros locais. Representam uma porcentagem muito pequena em relação às epífitas.

Exemplos: Cymbidium, Phaius, Paphiopedilum, Arundina, Neobenthamia, Bletia.

Rupestres

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São as que vivem sobre rochas. Não vivem agarradas a uma pedra lisa, mas fixadas nos líquens e folhagens decompostas acumuladas nas fendas e partes rebaixadas das pedras.

Exemplos: algumas plantas dos gêneros Epidendrum, Laelia, Zygopelatum e Bifrenaria.

– Locais para cultivo

Viveiros

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Em viveiros, a cobertura de sombrite é a mais utilizada, pois tem a vantagem de ser mais durável e de fácil manutenção, evita a entrada de pássaros e insetos de maior porte, como grilos e gafanhotos, e também evita danos de chuvas fortes ou de granizo.

A malha a ser usada depende das exigências de luz das orquídeas que se pretende cultivar. De modo geral, usa-se a de 50%.

As vantagens da estufa são: controle da temperatura, regas, luminosidade e umidade mais estáveis.

Ripado

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Fonte: Clube do Orquidófilo

Local onde as plantas são protegidas do sol por meio de uma cobertura horizontal de ripas fixadas paralelamente, mantendo vãos abertos da mesma largura que elas.

É preciso atenção à altura, largura dos vãos entre as ripas e a posição na cobertura, fechamento lateral e proteção contra vento sul.

Ao colocar as ripas, ou outro material, como bambus, na cobertura, lembre-se de que esse material deve ser disposto na direção norte-sul, a fim de que o sol, ao “caminhar” no sentido leste-oeste, vá gradativamente passando sobre as plantas.

Aconselha-se que lateralmente toda a estrutura seja fechada também com ripas ou bambus, não só por causa do sol, como também para proteção das plantas, especialmente por causa de gatos e outros animais que podem danificá-las.

Árvores

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Escolha árvores que perdem folhas no inverno e tenham bastante folhagem no verão, com galhos que recebem sol pela manhã e troncos com casca rugosa, mas que não soltem pedaços.

Árvores indicadas: limoeiro, abacateiro, flamboyant.

Dentro da residência

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As orquídeas de interior também necessitam de umidade e calor. Para isso coloque-as próximas de uma janela para receberem luz solar durante um período.

– Substratos para cultivo

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Fonte: Acervo pessoal do autor

O substrato, material utilizado para plantio, deve ser bem arejado e drenado, de maneira que retenha certa umidade, mas sem se encharcar.

Casca de árvores (placas)

Pode-se utilizar a casca de um tronco ou de galho mais grosso que tenha sido podado.

Nunca retire a casca de árvores vivas, pois isso poderá causar a sua morte.

A casca da árvore está sempre sujeita a deformações, mesmo depois de secar por muito tempo, em função da umidade e do calor.

Argila expandida

A argila expandida é um material utilizável para cultivo desde que seja feita adubação química, pois se trata de um material inerte, ou seja, não fornece nenhum nutriente para a planta.

Assim, requer o auxílio de elementos por meio dos quais as plantas possam buscar os micronutrientes que lhe são essenciais.

A argila expandida é barro submetido industrialmente a uma alta temperatura e, por esse motivo, é limpo de pragas.

É usada principalmente no fundo dos vasos para aumentar a drenagem, e/ou por cima de outro substrato (dependendo do outro substrato, não será obrigatório fazer adubação química).

Pinha

Para que seja utilizada como substrato a pinha precisa ser triturada e passar por um tratamento para eliminar o tanino e a resina, substâncias que queimam as raízes das orquídeas, levando-as à morte.

O tratamento consiste em deixar as pinhas de molho na água e trocá-la periodicamente até que a água fique clara.

O material possui ótima drenagem e baixo custo, já que pode ser recolhido do chão ou apanhado dos pinheiros que arborizam parques, praças e jardins residenciais.

No entanto, possui durabilidade de 2 anos e, por ser muito leve, não oferece estabilidade à planta, que pode tombar com facilidade.

Fibra de coco

Encontra-se fibra de coco nas formas desfiada, em cubos ou placas.

Tem sido empregada principalmente em substituição ao xaxim, porém apresenta alto teor de tanino e sal, o que não é apropriado para algumas espécies.

O tratamento para a retirada do tanino é o mesmo para todos os substratos, basta deixar de molho na água e trocá-la periodicamente até que ela fique clara.

Apresenta boa aeração, boa iluminação, razoável durabilidade e retém pouca água. É necessário trocar, em geral, a cada 2 anos.

Esfagno

É um musgo encontrado no leito dos rios. Esse substrato retém água de forma equilibrada, evitando problemas nas raízes das plantas.

Carvão Vegetal

Muito utilizado em associação com outros substratos por ser inerte e não possuir os nutrientes necessário para as plantas se desenvolverem.

Não se deve usar o carvão já utilizado para outros fins.

Esse substrato garante uma boa aeração para suas plantas, mas devido a sua porosidade tende a acumular mais sais, sendo necessário jogar bastante água para lavá-lo com o tempo.

Casca de macadâmia

Possui boa durabilidade e permite boa aeração das raízes.

Muito utilizado juntamente com carvão vegetal e esfagno.

Orquidários do Brasil inteiro tem utilizado este substrato devido ao seu baixo custo e benefícios.

Mix de substratos

A maioria dos orquidófilos utiliza vários substratos em conjunto para plantar orquídeas, o chamado mix de substratos.

Dependendo do ambiente, o mix de substratos é feito para reter mais ou menos umidade, para drenar mais ou menos, para ter muita ou pouca porosidade, etc.

– Temperatura ideal

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Todas as orquídeas se adaptam bem a temperaturas entre 15 e 25 graus Celsius.

Entretanto, há orquídeas que suportam temperaturas mais baixas, como Cymbidium spp., Odontoglossum spp., Miltonia colombiana, todas nativas de regiões elevadas.

Outras já não toleram o frio. É o caso das orquídeas nativas das imediações da linha do Equador, como Cattleya aurea, Cattleya eldorado, Cattleya violacea, Acacallis.

Assim, deve-se cultivar orquídeas que se aclimatem ao lugar em que serão cultivadas. Caso contrário, o cultivo será muito mais trabalhoso, muitas vezes resultando em perda da planta.

Felizmente, no Brasil, a variação de temperatura é adequada para milhares de espécies.

– Iluminação necessária

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Luz é essencial. O ideal é manter as plantas sob uma tela sombrite de 50 a 70%, dependendo da intensidade da insolação local.

Assim, elas receberão claridade em luz difusa suficiente para realizarem a sua função vital, a fotossíntese.

De maneira geral, se as folhas estiverem na cor verde garrafa, é sinal que estão precisando de mais luz. Se estiverem com uma cor amarelada, estão com excesso de luz.

Existem orquídeas que exigem mais sombra: é o caso, por exemplo, de micro-orquídeas, Paphiopedilum e Miltonia. Para estas plantas pode ser usada uma tela de 80% ou uma tela dupla de 50% cada.

Há outras que exigem sol direto, como a Vanda teres e Renanthera coccinea. Se elas estiverem sob uma tela, poderão crescer vigorosamente, mas dificilmente darão flor.

– Umidade do ar e irrigação

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Recomenda-se que a umidade relativa do ar não permaneça abaixo de 30%, pois as plantas se desidratarão rapidamente.

Em dias quentes, a umidade relativa do ar é menor, por isso é necessário manter o ambiente úmido e molhar não apenas a planta, mas também o próprio ambiente.

Nunca molhe as plantas quando as folhas estiverem quentes pela incidência da luz solar. Para evitar danos, molhe ao fim da tarde, quando o sol estiver no horizonte.

Se precisar molhar durante o dia, espere uma nuvem cobrir o sol por cerca de 10 min para que as folhas esfriem. Somente, então, borrife as folhas, pois umedecê-las é extremamente benéfico. Mas não encharque o vaso, pois as raízes podem apodrecer.

De forma geral, irrigue as plantas quando o substrato estiver seco apenas.

Conclusão

orquídea vanda

Plantas bem cultivadas, isto é, com todos os elementos que elas precisam em quantidades ideais, como temperatura, luminosidade, drenagem dos vasos, e uma correta irrigação, dificilmente estarão sujeitas a pragas e doenças, pois a própria planta será capaz de resistir a esses agentes prejudiciais.

A falta desses fatores pode ocasionar o aparecimento de pulgões, cochonilhas e outras doenças.

No caso de pulgões e cochonilhas, é possível eliminá-los por catação manual ou produtos alternativos.

Já em relação ao aparecimento de doenças, na maioria dos casos, será preciso retirar a parte doente, ou, até mesmo, proceder com a eliminação da planta inteira, para que ela não contamine as outras.

Plantas encharcadas ou submetidas a chuvas prolongadas sofrem muito com ataques de fungos e/ou bactérias, causando manchas nas folhas e/ou apodrecimento de brotos novos. É preciso muita atenção.

Portanto, o correto cuidado com essas questões fará você possuir plantas saudáveis, que gerarão lindas flores.

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Comentários

2 comentários em “COMO CULTIVAR ORQUÍDEAS: O GUIA SIMPLES E PRÁTICO

  • 23/02/2017 em 6:09 PM
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    gostei muito das explicaçoes pois ganhei umas orquideas e desde então me apaixonei por elas,muito obrigado.atenciosamente ,lore santana.

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    • 26/02/2017 em 11:17 PM
      Permalink

      Que bom que lhe foi útil! 🙂

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