DOENÇAS DE PLANTAS: ENTENDA POR QUE ELAS OCORREM

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É bem provável que você já tenha enfrentado algumas doenças de plantas, pois, infelizmente, é um problema muito comum.

No entanto, você sabe por que as plantas ficam doentes? Por qual motivo, mesmo tomando vários cuidados, as plantas contraem alguma doença?

Continue a leitura deste artigo para entender melhor essas questões. Ao final, você será capaz de utilizar alguns métodos para evitar a ocorrência de certas doenças.

O que são doenças de plantas?

Basicamente, doenças de plantas são vários processos fisiológicos que as prejudicam de forma constante, causado por algum microrganismo (chamado de patógeno) ou algum fator ambiental, resultando em sintomas específicos, como a clorose, necrose, podridão, murcha, manchas, etc.

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Foto: Carvão do milho por Smial

Plantas doentes apresentam algum desses sintomas citados e, em alguns casos, podem aparecer os chamados sinais: estruturas do microrganismo que podem ser vistas no tecido do hospedeiro, como esporos, corpos de frutificação e estruturas vegetativas).

Por que ocorrem doenças?

Aqui começa o seu verdadeiro entendimento.

Doenças de plantas ocorrem devido à interação de diversos fatores: ambiente, patógeno (agente infeccioso) e hospedeiro (a planta). Eles formam o famoso triângulo de doença:

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Se um desses vértices do triângulo é controlado, a planta não terá doenças.

Para haver uma doença é necessário que o ambiente seja favorável à sobrevivência do patógeno, que o hospedeiro seja suscetível a esse patógeno e que exista um patógeno na área capaz de causar a doença.

Como controlar esses vértices do triângulo?

Primeiramente, é preciso entender que controlar uma doença não significa eliminá-la completamente, mas sim mantê-la em intensidade economicamente tolerável.

É praticamente impossível não ter doenças em uma cultura.

– Hospedeiro

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Uma planta bem nutrida torna-se mais resistente aos agentes infecciosos, portanto, um bom cultivo é fator fundamental para o controle de doenças.

Também existem produtos, naturais ou sintéticos, que conferem proteção e/ou imunização às plantas.

São muito importantes para evitar o aparecimento das doenças, reduzindo as perdas no campo.

Alguns desses não matam o patógeno, mas inibem ou atrasam o desenvolvimento do microrganismo.

Devido aos avanços genéticos, há também no mercado várias plantas resistentes a determinadas doenças, as chamadas variedades resistentes.

Essas plantas são obtidas por meio de melhoramento genético, utilizando-se técnicas de hibridação ou cruzamento.

Ou seja, genes de outra(s) espécie(s) são introduzidos em sua estrutura, e essas plantas são chamadas de transgênicas.

Esse processo tem por fim a inclusão de genes de resistência a patógenos.

– Patógeno

É o microrganismo capaz de causar a doença. Pode-se controlar esse vértice do triângulo apenas utilizando as medidas de controle explicadas abaixo:

Medida de exclusão: tem origem em ordem legislativa, como Leis, Portarias ou Instruções Normativas específicas. Com os instrumentos, evita-se a introdução de patógenos em determinados locais, sejam eles uma propriedade, município, estado ou, até mesmo, um país.

Medida de erradicação: essa medida, apesar do nome, não visa eliminar completamente a população do patógeno, mas sim reduzir sua quantidade na área afetada.

Exemplos: rotação de culturas, inundação, pousio, bom preparo do solo, uso de plantas antagonistas, eliminação de restos culturais (restos de plantas/frutos mortos).

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Medida de proteção: a principal medida de proteção é a utilização de produtos químicos, sejam eles aplicados diretamente nas sementes e plantas, ou nos vetores da doença.

Também pode-se utilizar o controle biológico ou compostos alternativos.

Medida de imunização: visa a utilização de plantas resistentes.

Medida de terapia: objetiva a cura de infecções que já ocorreram.

Pode-se citar a retirada das partes afetadas, tratamentos térmicos e uso de produtos químicos capazes de curar as infecções.

Medida de escape: procura-se evitar a ocorrência da doença escolhendo-se o local da instalação da cultura e a época de plantio, uso de variedades precoces, entre outras.

Observação importante: A maior parte dessas medidas deve ser feita com a orientação de um Agrônomo, visando a correta identificação e controle do patógeno.

Conheça um produto alternativo que atua simultaneamente como medida de proteção e terapia: Calda Viçosa, O fungicida orgânico

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– Ambiente

No campo, esse é um componente impossível de controlar, mas para quem tem plantas em casa ou em estufas, isso pode ser feito.

A temperatura é um dos fatores determinantes para a ocorrência e desenvolvimento de doenças.

Influencia diretamente na sobrevivência do patógeno, na pré-infecção, na germinação dos esporos fúngicos e infecções, nos sintomas, entre outros.

A umidade é outro fator importante, seja a da chuva, do orvalho, vapor ou água da irrigação.

Influencia diretamente na germinação de esporos e infecção (a umidade é indispensável para a germinação de esporos fúngicos), ativação de bactérias e nematóides, dispersão de patógenos e aumento da maciez do hospedeiro, tornando a infecção mais fácil.

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A umidade é a grande causadora dos problemas nas plantas. Saber a frequência e a hora certa de irrigar uma planta é fator predominante para o sucesso no controle e para o não aparecimento de doenças.

Já a luz afeta a esporulação, germinação, liberação e viabilidade de esporos fúngicos.

Todos os fatores ambientais interagem com a doença e não as afetam isoladamente. Por exemplo, pode não ocorrer uma doença mesmo se um dos fatores estiver inadequado, pois outros fatores podem estar em níveis ótimos (desfavoráveis ao patógeno) e compensar a deficiência desse.

Principais doenças de plantas no Brasil

Diagnosticar doenças de plantas não é tarefa fácil. Um mesmo patógeno, por exemplo, pode causar vários sintomas diferentes.

Um tratamento não funciona para todos os tipos de patógenos. Por isso, um profissional agrônomo é essencial para a correta identificação do problema.

Algumas pessoas vendem a ideia de que passar um produto natural para o combate de uma determinada doença funcionará para todas as outras, e isso NÃO é verdade.

O leite, por exemplo, pode ser eficaz contra o oídio, mas não para outros diversos fungos.

Confira, no quadro abaixo, as principais doenças de plantas no Brasil:

CulturaNome da DoençaNome do Patógeno
CitrosCancro bacterianoXanthomonas axonopodis
TomateVira-cabeçaTomato spetted wilt virus
Hortaliças em geralPodridão-molePectobacterium carotovorum
SojaMancha-angularPhaeoisariopsis griseola
CaféFerrugemHemileia vastatrix

O que fazer para evitar essas doenças?

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Cultivar uma planta para evitar que doenças ocorram é um trabalho que envolve um alto conhecimento de suas necessidades.

Para evitar doenças e epidemias você precisará:

  • Evitar danos nas plantas;
  • Eliminar as partes e plantas infectadas;
  • Estudar o melhor horário e a frequência da irrigação visando o correto manejo da umidade;
  • Fazer rotação de culturas;
  • Incorporar matéria orgânica ao solo a fim de melhorar a nutrição e aumentar a quantidade de microrganismos benéficos, que vão competir com os patógenos nocivos;
  • Ter uma correta drenagem do local; e
  • Saber o melhor local para cultivar as plantas em relação à temperatura e à luz.

Conclusão

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Com este artigo, você aprendeu que as doenças ocorrem devido à integração dos fatores: ambiente, patógeno e hospedeiro. Ao quebrar um desses fatores, você conseguirá, com sucesso, evitar as doenças.

O ambiente é o fator impossível de modificar no campo, mas perfeitamente possível em cultivos dentro da residência e/ou em estufas.

Se um fator ambiental não estiver adequado, os outros podem compensar o que falta; assim, a infecção do patógeno não ocorrerá.

O conhecimento agronômico para a correta identificação do patógeno levará ao seu correto controle.

Os produtos alternativos são capazes de controlar algumas doenças, mas não todas. Por isso, não acredite que eles resolverão todos os problemas.

Técnicas simples podem ser usadas para diminuir a incidência de doenças, como evitar danos mecânicos, controle de vetores de insetos por meio de repelentes, eliminação das partes afetadas, o melhor horário e frequência das irrigações, entre outros já citados.


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